Marcela Iochem Valente

Mobirise

"A escrevivência afrodiaspórica de Conceição Evaristo em tradução: luta, resistência, subversão."
Após alcançar considerável visibilidade no exterior através das traduções de suas obras, Conceição Evaristo vem sendo recentemente apontada por alguns no Brasil como “a voz da mulher negra na literatura brasileira contemporânea” (Dunder, 2019). Embora em nosso país a trajetória da escritora não tenha alcançado reconhecimento de mérito durante décadas de produção literária, após a repercussão da acolhida de sua obra em países como França e Estados Unidos, Evaristo vem alcançando visibilidade frequentando, cada vez mais, espaços reservados a escritores canônicos e de prestígio publicados por grandes editoras. Sua candidatura à Academia Brasileira de Letras - ainda pouco ocupada por mulheres e nunca por mulheres negras, gerou grande comoção pública através da campanha Conceição Evaristona ABL. O prêmio Jabuti recebido em 2015 e a homenagem recebida pela mesma premiação em 2019 colocam Evaristo em posição de certa visibilidade na literatura brasileira. Além de inúmeros outros prêmios e da já consolidada presença na academia no Brasil e no exterior, Evaristo tem ainda conquistado considerável espaço na mídia, participando, inclusive, de novela global em 2020. Porém, mesmo que o cenário seja aparentemente favorável, não podemos deixar de lembrar que a obra de Evaristo tem sido publicada por pequenas editoras, de segmentos bastante específicos e que, por essa razão, acaba por não alcançar grande circulação. Não podemos deixar de considerar ainda que, na literatura brasileira, não apenas a mulher negra é historicamente representada de forma estereotipada e/ou objetificada, mas também a sua produção literária esbarra em muitas barreiras que dificultam ou até mesmo impossibilitam a sua publicação e (re)conhecimento. Fortemente marcada por seu lugar de fala, a literatura de Evaristo surge na contramão de discursos hegemônicos, racistas e falocêntricos, como forma de questioná-los e subvertê-los. Sua escrevivência não só denúncia as múltiplas camadas de opressão enfrentadas por mulheres negras na sociedade brasileira, mas também evidencia esse espaço de luta, resistência e subversão. Dessa maneira, a presente fala pretende trazer algumas questões relacionadas à escrevivência afro-diaspórica de Conceição Evaristo, com especial atenção para questões relacionadas à tradução e à recepção de sua obra no exterior.

Professora Adjunta do setor de Língua Inglesa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, atuando na Pós-graduação Stricto Sensu em Letras, na área de Estudos da Literatura; na Pós-graduação Lato Sensu em Linguística Aplicada: Inglês como Língua Estrangeira; e na graduação em Inglês e Literaturas de Língua Inglesa. Possui Doutorado em Letras - Estudos da Linguagem, com pesquisa em Estudos da Tradução, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2013); Mestrado em Literaturas de Língua Inglesa com pesquisa em estudos afro-americanos / Tradução pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2009); e graduação em Letras - Inglês e Literaturas de Língua Inglesa - pela mesma universidade (2007). Faz parte das linhas de pesquisa "África, diáspora africana e estudos de tradução", "A voz e o olhar do outro: questões de gênero e etnia nas Literaturas de Língua Inglesa", "Diálogos com os Estudos de Tradução" e "Linguagem e cognição: aquisição e desenvolvimento de linguagem". Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Estudos da Tradução, Literaturas e Língua Inglesa, atuando principalmente nos seguintes temas: estudos de tradução, tradução de literatura da diáspora negra, recepção de literatura (afro)brasileira traduzida no exterior, língua inglesa, literatura afro-americana, literatura afro-brasileira, questões interculturais e ensino de línguas para fins específicos.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/4079910239096003 

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